
'Under Mi Sleng Teng', lançado há mais de 20 anos atrás pelo produtor King Jammy e o cantor Wayne Smith, foi um compacto que provocou uma reviravolta nos rumos do reggae, pois a imensa popularidade que conquistou quase instantaneamente, fez com que os riddims computadorizados se impusessem como dominantes, o que acontece até os dias de hoje na Jamaica. Tal movimento, lamentado por muitos, mas também saudado por ter permitido o aumento do número de estúdios e a conseqüente democratização da produção, pelo fato de não ser mais necessário o emprego obrigatório de vários instrumentistas, está sendo relembrado e comemorado por uma série de novos lançamentos. Como em toda história de sucesso, esta tem várias versões, mas a mais aceita é que Wayne Smith tenha encontrado o riddim no pequeno sintetizador Casio do tecladista Tony Asher. Depois de terem gastado mais alguns dias para conseguir acessar novamente o riddim que haviam tocado antes (que Peter Dalton afirma ter sido baseado no riff da faixa “Something Else”, de Eddie Cochrane – integrante da primeira geração do rock n’ roll), Asher e Smith ralentaram o ritmo e colocaram a voz. O compacto foi lançado no final de fevereiro de 1985, tornando-se um sucesso tão grande que gerou literalmente centenas de versões, como 'Buddy Bye' de Johnny Osbourne, 'Pumpkin Belly' de Tenor Saw, 'Trash and Ready' de Supercat, 'Call The Police' de John Wayne, entre muitos outros. Para o jornal Jamaica Gleaner, King Jammy contou que “a cena musical de então era mais excitante, porque naquela época estávamos criando coisas. Isso nos deu mais incentivo e alegria para fazer novas coisas. […] Naquela época as pessoas estavam procurando por um novo som. Novas músicas apareceram, mas vieram com o mesmo tipo de instrumentação e coisas assim, mas esse (Sleng Teng) era diferente do resto, por isso pôde cativar o povo. […] Nunca mais precisei de muitos músicos para fazer as coisas. As máquinas cuidavam de tudo. […] O som acústico estava meio que ficando velho, era bom também, mas quando as pessoas começaram a ouvir esse som novo, […] passaram a gravitar ao redor dele”. A partir daí foi início de uma nova era na música jamaicana, que foi revitalizada com a construção de novos estúdios e o aparecimento de uma nova geração de artistas.
Leo Vidigal(massive reggae).